Tesouros que roubei

Porque aqui roubar não é um crime

Lembranças demasiado soltas. Setembro 23, 2008

Filed under: Mim adentro — tesourosqueroubei @ 10:53 pm

 

 

Lembro-me do pão com fiambre e do iogurte quase liquido que dispensava a colher. Lembro-me do barulho da porta do guarda-vestidos a abrir, a chave a rodar e do mistério que guardava, nunca descobri.

Lembro-me do olhar que encerrava toda a tristeza que eu negava, que eu não tinha. Lembro-me dos vestidos cheios de cor impensados naquela silhueta. Lembro-me da solidão, imposta e depois desejada, da ignorância. Da paciência se me lembro, mas também da falta dela.

Do sorriso nas fotografias, do sabor do peru e do arroz moreno.

Sim lembro-me do andar pesado, da falta de beijos. Da dedicação, das compensações, das malditas compensações, eu lembro-me.

 

 

O polígrafo não mente… Setembro 17, 2008

Filed under: Caixa Mágica,Mim adentro,Tesourar — tesourosqueroubei @ 10:35 pm
  
 No meu zapping limitado por quatro canais perco-me na “qualidade” de conteúdos. Aliás, faço zapping precisamente porque quero ver tudo e não sei por onde escolher. Não sei se veja uma verdade que compensa baseada em quezílias familiares. Este tesouro do caixote mágico apresenta os intervenientes crucificados por um polígrafo que não mente. Mas não mente mesmo, assumamos isto de uma vez por todas.
 Talvez escolha um daqueles documentários históricos (ponto assente: gosto muito de os ver) que quando apanhados a meio nos podem, momentaneamente, assustar. Se os Maias tinham pêlos faciais ou não, foi a ideia que sobressaltou quando mudei para a “Dois”. Novelas só com companhia, gosto de arreliar com comentários irrefreáveis. Não consegui, voltei à verdade nua e crua, que sinceramente não percebi e nem quero. Quando a porcaria é muita gosto de a “tocar” ao de leve e fazer juízos pouco coerentes, só permitidos, no meu entender, em situações como esta. Ainda não consegui mudar, tenho esta tendência masoquista. Uma vergonha que sinto e pareço querer alimentar. Porque quanto mais vejo mais parva fico e julgo que pior não pode ficar. E não é que fica!! Consegue piorar. A Praça Pública a voltar à acção, está tudo a atirar tomates e ovos. Santa Inquisição, o que seria de mim ligada a um polígrafo?

 

 “A verdade compensa?

Excuse me? A sic criou outro programa para analisar o Momento da verdade? Come again!?!??

Com a Luisa Castel Branco e o Claudio i’m-so-gay-it-hurts Ramos a comentarem a prestação dos concorrentes?

É impressão minha ou a sic anda gravemente a competir com a tvi para verem qual dos dois canais privados consegue estupidificar mais rápidamente o povo português?

O que é que vão fazer a seguir? A pior novela de adolescentes de todos os tempos?! Ah não, espera, isso já está em exibição (infelizmente às 18, hora a que eu não posso ver :( )”

In http://tpm.blogs.sapo.pt/

 

Não dá para não pensar… Setembro 17, 2008

Filed under: Ditos suspensos,Tesouros dos Livros — tesourosqueroubei @ 9:42 pm

 

“ (…) Mas isso foi há muito tempo. Crescemos, fomos para sítios diferentes, separámo-nos. Nada que se estranhe, acho. As nossas vidas levam-nos para caminhos que não conseguimos controlar e quase nada permanece connosco. Tudo morre quando morremos, e a morte é uma coisa que nos acontece todos os dias.”

 

In “O Quarto Fechado” de “A Trilogia de Nova Iorque” de Paul Auster

 

 

Entre o ceu e a terra… Setembro 10, 2008

Filed under: Bolinar,Mim adentro,Tesouros dos Livros — tesourosqueroubei @ 12:04 am

O mar é de mosto, as vinhas são as ondas…S. Leonardo de Galafura nas palavras de Miguel Torga é um marinheiro num rabelo de penedos ancorado no cais humano, e se depressa rumar ao divino, depressa perde a cor da vida. Perdem-se os montes, os socalcos e os vinhedos, Perde-se o rio Douro, transformado num charco…

 

 

Monte de S. Leonardo, Galafura, Peso da Régua

 

Nessum Dorma nesta casa… Setembro 4, 2008

Filed under: Uncategorized — tesourosqueroubei @ 1:53 am

 

E há alguém que neste emaranhado de memórias…consegue sobressair..Filipa. Um bocadinho de mim (eu = Sofia) e um bocadinho de ti (ti = Paola)…na vida dela, é sempre bom poder fazer parte. Mas não digo isto como se o maior privilégio fosse dela….Filipa. Estamos todos gratos, existimos uns prós outros, somos como um copo de vinho entornado numa mesa, sem saber como tirar a nódoa da toalha. Seja encorpado, sabores a baunilha, morango e frutos silvestres, o vinho inspira, molha, definitivamente, as palavras. O meddley é musical e de conversa, cá estamos e com caixinhas pequeninas de Pandora vamos construindo uma qualquer história de vida entrelaçada, partilhada e como muita gente podia dizer nesta altura ( cansaço, cansaço) voto de pesar para tudo o que se inventou importante. O diabo gosta certamente de assistir ao descambar da vida estipulada…

 

 

“Eu hoje tive um pesadelo e levantei atento, a tempo
Eu acordei com medo e procurei no escuro
Alguém com seu carinho e lembrei de um tempo
Porque o passado me traz uma lembrança
Do tempo que eu era criança
E o medo era motivo de chôro
Desculpa para um abraço ou consolo
Hoje eu acordei com medo, mas não chorei
Nem reclamei abrigo
Do escuro eu via um infinito sem presente
Passado ou futuro
Senti um abraço forte, já não era medo
Era uma coisa sua que ficou em mim (que não tem fim)
De repente a gente vê que perdeu
Ou está perdendo alguma coisa
Morna e ingênua
Que vai ficando no caminho
Que é escuro e frio, mas também bonito
Porque é iluminado
pela beleza do que aconteceu
Há minutos atrás.”

 

 
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