Tesouros que roubei

Porque aqui roubar não é um crime

PARVÍSSIMOS… Fevereiro 25, 2011

Filed under: Cogito adentro,Jornais & Revistas,Tesourar — tesourosqueroubei @ 12:32 pm
Deixo aqui o  comentariosinho ao textinho da Isabelinha e o textinho da Isabelinha…Vale a pena uma voltinha na página do Destak para ver a imensidão de comertariosinhos
EDITORIAL

A parva da Geração Parva

17 | 02 | 2011   21.12H
Isabel Stilwell | editorial@destak.pt

Acho parvo o refrão da música dos Deolinda que diz «Eu fico a pensar, que mundo tão parvo, onde para ser escravo é preciso estudar». Porque se estudaram e são escravos, são parvos de facto. Parvos porque gastaram o dinheiro dos pais e o dos nossos impostos a estudar para não aprender nada.

Já que aprender, e aprender a um nível de ensino superior para mais, significa estar apto a reconhecer e a aproveitar os desafios e a ser capaz de dar a volta à vida.

Felizmente, os números indicam que a maioria dos licenciados não tem vontade nenhuma de andar por aí a cantarolar esta música, pela simples razão de que ganham duas vezes mais do que a média, e 80% mais do que quem tem o ensino secundário ou um curso profissional.

É claro que os jovens tiveram azar no momento em que chegaram à idade do primeiro emprego. Mas o que cantariam os pais que foram para a guerra do Ultramar na idade deles? A verdade é que a crise afecta-nos a todos e não foi inventada «para os tramar», como egocentricamente podem julgar, por isso deixem lá o papel de vítimas, que não leva a lado nenhum.

Só falta imaginarem que os recibos verdes e os contratos a termo foram criados especificamente para os escravizar, e não resultam do caos económico com que as empresas se debatem e de leis de trabalho que se viraram contra os trabalhadores.

Empolgados com o novo ‘hino’, agora propõem manifestar-se na rua, com o propósito de ‘dizer basta’. Parecem não perceber que só há uma maneira de dizer basta: passando activamente a ser parte da solução. Acreditem que estamos à espera que apliquem o que aprenderam para encontrar a saída. Bem precisamos dela.

 

 

Sou optimista por natureza e já me rendi muitas vezes à escravidão e fui parva para não ficar parada, mas um artigo desta natureza surge do ânimo leve de quem nunca passou por precariedade, ou se passou deve, certamente, ter-se esquecido da angústia que é ser essa a única solução. Não nos damos ao luxo de recusar trabalhos porque eles surgem um de cada vez e com intervalos consideráveis e não surgem oportunidades nem alternativas ao virar de cada esquina. Mas gostava de referir, sucintamente, que a comunicação social perde-se em debates com o mote da música dos Deolinda, mas nas respetivas redações de jornais, revistas, televisões “mora” a precariedade de estagiários “curriculares”, recibos verdes e assalariados que NÃO “ganham duas vezes mais do que a média” e quer me parecer que a redação do Destak não deve ser exceção. Talvez a Sr. Editorial não precisa de sair à rua, basta dar uma volta pelas secretárias dos subordinados, se os tem, para ver a imensidão de fotografias em lugares paradisíacos e hotéis de cinco estrelas que os jornalistas devem colecionar. Se viajam, com muita sorte é a trabalho e a maioria, tal como eu, não estudou para fazer fortuna porque não se consegue tal proeza como jornalista. Estudou para denunciar situações como esta e não para as avaliar com as “palas” de quem não vê a realidade sob os seus diversos pontos de vista. Há de tudo em todas as gerações e a nossa não é composta só de licenciados e nem só de trabalhadores. Muitos vão aproveitar esta música para justificar o comodismo e a inércia mas outros tantos precisam dela como uma espécie de consolo, não de vítimas mas de competentes sem oportunidade “de dar a volta à vida”. E o “basta” normalmente, Sr. Editorial, não vem de quem está desempregado, mas de quem trabalha ativamente e não encontra solução ao trabalhar como toda a gente. O “basta” vem de quem não se pode dar ao luxo de grandes planos mensais, quanto mais, poupanças e objetivos a médio prazo. Era capaz de apostar que o maior exemplo deste parvoíce da nossa geração está dentro dos média e ainda estou à espera que alguém deixe de ser hipócrita e surja com a denúncia destes subempregos. Paro por aqui, mas olhe que sou muito optimista.

Sofia Pires | 25.02.2011 | 10.59H

 

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